23 de nov de 2009

NÓS PODEMOS MUDAR O MUNDO. SERÁ?

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Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade

O mundo não anda mesmo muito bem. Todo mundo sabe, todo mundo fala. Mas o que é que nós podemos fazer para mudar isso? Tem que começar de algum jeito. E já começou, com os 8 jeitos de Mudar o Mundo, um compromisso da ONU e seus países-membros.

Inclusive o Brasil. Acredite. Juntos – governos, empresas, organizações sociais, cidadão –, nós podemos mudar a nossa rua, a nossa comunidade, a nossa cidade, o nosso pais. Eu posso, você pode. Nós podemos mudar o mundo.

1) ACABAR COM A FOME E A MISÉRIA

2) EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE PARA TODOS

3) IGUALDADE ENTRE SEXOS E VALORIZAÇÃO DA MULHER

4) REDUZIR A MORTALIDADE INFANTIL

5) MELHORAR A SAÚDE DAS GESTANTES

6) COMBATER A AIDS, A MALÁRIA E OUTRAS DOENÇAS

7) QUALIDADE DE VIDA E RESPEITO AO MEIO AMBIENTE

8) TODO MUNDO TRABALHANDO PELO DESENVOLVIMENTO
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Uma moça muito simpática entregou-me ontem, enquanto abastecia meu carro, um colorido folheto da www.nospodemos.org.br com a mensagem e soluções acima. Acima da minha mumiazinha, evidente. Esta vai por minha conta.

Insisto que não tenho a boa sorte do Cesar Valente: só sofro abordagens do sexo feminino quando o interesse é publicitário e de terceiros, nunca próprio. Esses dias quase atropelei uma dessas meninas, numa esquina. De propósito. O crime seria doloso, mas para quem conhece as artimanhas e os meandros jurídicos seria fácil transformá-lo em culposo e eu pagaria, no máximo, uma cesta básica como pena. Isto considerando a remota possibilidade de ser condenado.

Li o texto e ele me impregnou de bem-estar. Cheguei a respirar fundo; aquele respiro de satisfação e regozijo que parece desintoxicar e afastar maus eflúvios. Pelo menos há alguém tentando fazer alguma coisa! – pensei, embora entre a intenção e a ação exista uma via-láctea de distância.

Levantei os olhos para agradecer mas a moça já estava distribuindo folhetos a outros motoristas. Notei que estava mais sorridente...

Então o impacto. Bem próximo há uma ponte sobre o arroio Dilúvio e sua mureta está coberta de propaganda política. Os postes próximos, idem.

Usam agora aqueles plásticos horríveis porque a lei não permite que as propagandas sejam coladas, apenas dependuradas, perigosamente como a nossa Democracia. Não sei qual é o método pior. O antigo prejudicava o patrimônio público, porque era difícil e custoso o processo de retirada. Os de agora são fáceis de pôr e de tirar, mas numa ventania ou temporal vão ser arrancados, entupir esgotos, atrapalhar o trânsito e sujar o mundo. Alguns dos sarrafos retangulares que os seguram podem ser usados até como armas. Se algum deles algum dia cair na minha cabeça vou entrar com uma ação contra o partido – se sobreviver.

Essa estética triste abalou o meu bem estar. Enquanto aguardava o cartão de crédito, fiquei conferindo os nomes dos candidatos.

Os mesmos de sempre: os que perderam eleição para o legislativo e agora lutam para se aboletar no Executivo. Outros, os perdedores contumazes. Alguns que ocuparam cargos anteriormente, viveram uns tempos no ostracismo, e agora ressuscitam como múmias que periodicamente abandonam seus sarcófagos para nos atormentar. Raríssimos nomes novos. As raposas de sempre! – pensei de novo.

Olhei o folheto. Será que podemos mudar o mundo se não conseguimos mudar nem os candidatos de uma eleição para outra? Por que será que são sempre os mesmos, em todas as eleições? Inclusive nas federais e estaduais? Com essa gente poderemos mudar realmente alguma coisa? Estão há tanto tempo borboleteando na órbita do poder e nada muda! Mesmo que a gente queira, será que não vão nos estorvar? Se mudarmos para melhor, será por causa deles ou apesar deles? – estava muito pensador ontem!

E há gente no Governo que pretende instituir eleições no Judiciário. Meu Deus! Já houve manifestação pública dessa idéia. Isto corresponde ao lançamento da semente. Agora falta adubar e nisto são doutorados. Não duvido que germine e frutifique. A política do conchavo exercida por FHC foi primorosamente aperfeiçoada por Zé Dirceu & Cia.

Quando isto ocorrer retirar-me-ei discreta e definitivamente para o meu sarcófago.

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Publicado no Jus Sperniandi, do autor, no Uol,

em 12/08/2004.

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