9 de ago de 2010

DILMA ROUSSEFF ERA BOAZINHA?

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A campanha eleitoral galopa a passos largos e pululam na Internet os mais variados e-mails, entre os quais o que traz a ficha de Dilma (brrr!) Rousseff e revela seu passado de terrorista. Nunca a ouvi, nem a ninguém do PT, negar esse passado. Aliás, ela já se orgulhou dele. Mas isto, agora, não é importante, porque foi anistiada e goza de amplos direitos políticos.

A imprensa nacional não toca no assunto. Certamente o temor reverencial a impede de publicar essa faceta de dona Dilma. O contrário não é verdadeiro. A imprensa prega com desenvoltura a apuração dos fatos cometidos por integrantes da Ditadura na mesma época. A anistia, parece, valeu apenas para um lado.

Mas se nossa imprensa é omissa, no exterior, aqui na vizinhança, não é bem assim. O jornal chileno La Tercera publicou, em março, La historia de Dilma Rousseff y su pasado como “guerrillera” en Brasil. Afirma: Los electores brasileños saben muy poco de Rousseff, citando Bolívar Lamounier, analista e acadêmico brasileiro entrevistado (aqui).

A imprensa chilena é imparcial. Ou não – dirão os petistas que medem essa parcialidade pelo número de elogios ao chefe.

Na época do “terrorismo” eu era acadêmico de Direito. Fui de Taió a Florianópolis para estudar e voltar para, mais tarde (era meu objetivo de vida), fazer concurso para juiz. Segui os conselhos de meu pai: não te mete em política que isto não dá camisa pra ninguém.

Meu pai era mecânico, tinha pouca instrução e, percebo agora, estava redondamente enganado. Política não só da camisa como, também, cuecas dolarificadas. Sem contar que é o meio mais rápido e seguro de enriquecer, principalmente se você não for oposição.

Mas... Os terroristas de então – dona Dilma entre eles ou não? – eram movidos apenas pelo elevado objetivo de nos tornar uma nação livre e democrática? Eram tão perfeitamente altruístas que visavam apenas o bem estar comum – objetivo de todo governo democrático – a ponto de sacrificarem anseios pessoais nessa busca? Ou será que, ainda que lá no mais recôndito de seu íntimo, pretendiam impor sua própria ideologia e nos massacrar com uma ditadura de esquerda? Será que não os movia algum sentimento de maldade, ainda que latente, que os impelia a assaltar, sequestrar, roubar e matar? Pode alguém se dedicar a atividades que contrariam o cerne da natureza humana, sobrepondo a seus interesses pessoais o glorioso objetivo de apenas fazer o bem? Ainda que matando, roubando, assaltando e sequestrando?

Mesmo que tudo, agora, pertença ao passado, é possível e salutar considerar que os envolvidos de então, dona Dilma entre eles ou não, estejam completamente reabilitados, ou é lícito imaginar da possibilidade de que dormita no íntimo de alguns uma brasa à espera do sopro oportunista da contrariedade que reacenderá antigos ímpetos?

Não sei. Esse tipo de assunto é tabu na conjuntura brasileira. Não temos condições sociais nem psiquiátricas de responder a esse tipo de interrogação. Em todos os casos, pensar a respeito não faz mal.
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