5 de ago de 2010

O BOLSA-PT!

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Os emPeTedernidos eriçarão os pelos nasais. Alegarão que o assunto é antigo e ultrapassado. Têm razão. Mas certas espertezas devem ser periodicamente lembradas em nome da Ética verdadeira, para que não caiam no ostracismo.

O número de cargos de confiança no Brasil é um dos mais altos do planeta. Nos Estados Unidos, no início da gestão Barack Obama, em 2009, havia cerca de 9.000 dirigentes desse tipo e 600 deles precisavam de aprovação do Senado (aqui).

É do interesse do PT a nomeação de petistas para cargos de confiança e, na esfera federal, Lula dobrou o número desses cargos e implementou substancialmente os gastos do funcionalismo federal em 119% com apaniguados, apenas sob essa rubrica. Ele que, em campanha, combatia o inchaço da máquina estatal e prometia racionalizar o setor.

O governo Lula aumentou em 119% as despesas com as funções gratificadas, que não precisam de concurso público para serem preenchidas. De 2002 a 2009, esse gasto passou de R$ 555 milhões para R$ 1,2 bilhão. Confira aqui.

O interesse do partido do Governo não é administrativo nem visa propiciar melhor atendimento ao cidadão que necessita da prestação de serviços federais. O interesse principal vem do fato de que os comissionados filiados ao PT autorizam, automaticamente, o desconto diretamente de folha de pagamento de percentual em favor do partido, conforme tabela específica eticamente — (lembram no "ninguém neste país é mais ético do que eu") — elaborada pelos dirigentes partidários (veja).

O PT calcula que cerca de 5.000 cargos de confiança federais são ocupados por filiados. Todos são obrigados a contribuir com uma parte do salário, o "dízimo", para o partido. A receita petista com esse tipo de contribuição cresceu 545% no primeiro governo Lula, chegando a R$ 2,88 milhões em 2006 (aqui).

Não para aí a esperteza do partido. Ultimamente o Governo petista preferiu desviar para os cargos de confiança funcionários que, na origem, percebem vencimentos maiores: "nos dois estágios mais baixos, o número de cargos aumentou apenas 3,1% e 2%, respectivamente. Já a quantidade de cargos dos demais DAS deu saltos acima de 30%. O número de DAS-5 (que ganham R$ 8,9 mil), por exemplo, passaram de 672 para 1.006 (49% a mais)" — confira aqui. Claro, quanto maior o salário, maior o dízimo partidário.

O PT, que à época do mensalão e de Marcos Valério e Delúbio Soares, ficou pobre e sem dinheiro — segundo anunciavam seus próceres de então —, está novamente rico. É, seguramente, o partido mais capitalista do Brasil.

Como quem paga o funcionalismo federal somos os contribuintes, podemos nos considerar financiadores do PT. Nós pagamos para o PT existir e se sustentar e na contabilidade nossa de todos os dias esse dinheiro vai direto para o fundo perdido. Mal perdido, por sinal.

Em suma: nós pagamos impostos, mantemos o bolsa-família e o bolsa-escola como caça-votos eleitoreiros e, além disto, indiretamente, financiamos o próprio PT. É o bolsa-PT.
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