17 de ago de 2010

POLTERGEIST - O FENÔMENO (filme)

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O problema de você assistir a uma comédia é que perde a graça reassisti-la: as piadas e situações engraçadas já são conhecidas e tornam-se absolutamente comuns. É a melhor forma de se transformar uma comédia num drama.

Na minha adolescência, em Taió, eu ia ao cinema sempre que podia. Mas quando era comédia já saía rindo de casa porque sabia que o Lotário iria também. Ele gostava de comédias e quando achava alguma cena engraçada soltava sonoras gargalhadas que contagiavam todos os presentes. A gente achava graça de cenas que poderiam nem ser tão hilárias assim. Ele era mais engraçado que muitas cenas.

Tenho visto poucas comédias e nem que quisesse poderia contar com a participação estimulante do Lotário porque ele morreu, ainda jovem, se não me engano aqui no Rio Grande do Sul, quando trabalhava no Pólo Petroquímico.

Bem. Tudo isto para dizer que ontem revi Poltergeist, O Fenômeno, aquele aterrorizante filme, um dos primeiros do Spielberg, e tive a impressão de que assistia a uma comédia sem graça.

Esse é um dos males de se viver no Brasil. Nossa situação social e política é tão terrificante e sobrenatural que um filme de terror não assusta mais ninguém.

Não lembrava de detalhes porque o vi há muitos anos. Mas sabia que a casa da família assediada fisicamente por espíritos do além fora construída sobre um cemitério.

Não sei porque, mas só depois da casa construída e de a família nela residir há algum tempo é que os mortos se revoltaram. O Spielberg também não explica como é que os fundamentos da casa puderam ser lançados sobre um cemitério com mortos enterrados a sete palmos quando se sabe que micro-estacas ou pilares geralmente exigem acomodação bem mais profunda. Mas isto deixa prá lá.

O filme começa com o The Star Spangled Banner, hino dos Estados Unidos, com toda força, no encerramento da programação da tevê. Uma das vantagens do sistema Dolby Surround é que você ouve o som com uma plenitude até irreal. Logo a menininha, Carol Anne, invoca espíritos que aparecem invisivelmente na telinha. Mais tarde acaba sendo tragada por eles e a tevê passa a ser o meio de comunicação entre a menina e seus desesperados pais, que se valem de uma parapsicóloga e seus assistentes e depois de uma clarividente para puxá-la de volta com uma prosaica corda.

Lamento, mas enquanto assistia, comecei a cochilar e acabei dormindo. Não vi o filme inteiro e não tive ânimo, depois, de voltar o devedê para revê-lo.

Quando acordei a família inteira estava no interior do carro, tentando fugir, a casa desmoronando e desaparecendo sob uma tempestade e efeitos especiais. A fuga foi exitosa e a família se acomodou num motel.

Numa das últimas cenas o pai coloca a televisão na rua. Pudera! Depois de todos os infortúnios era a melhor coisa que poderia fazer.

Talvez seja essa mesmo a mensagem do filme. A televisão não presta nem para crianças nem para adultos. É algo terrível e, a seu modo, aterrorizante. Transmite horrores como Pânico, Gugu, Fausto Silva, Hebe, por aí afora. Stanislaw Ponte Preta dizia que é uma máquina de fazer doidos.

No caso do filme, uma máquina de transmitir mensagens de espíritos loucos do lado de lá para o lado de cá. O que, no fim das contas, é a mesma coisa.
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Um comentário:

  1. Ah! Adorei a comparação sobre o pai se desfazer da TV! Faz pensar, realmente... Quem sabe Spielberg quis passar uma mensagem? ;-)

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