7 de set de 2010

O PARLAMENTO ESTÁ SUSPENSO!

Publicado em 01/09/2005

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Antes de escrever este blog eu, de vez em quando, enviava e-mails aos deputados federais – quer dizer, ao povo brasileiro, pois são nossos representantes – sobre assuntos polêmicos ou não da ordem do dia e que poderiam interferir em nossas vidas.

Poucos respondiam. O brasileiro é surdo, se considerarmos os deputados seus ouvidos.

Depois que me dediquei ao blog ocorreu um fenômeno interessante, que já referi há algum tempo: tem-se a impressão de que o mundo todo o lê, até os esquimós do Pólo Norte ou os pingüins do Pólo Sul. Talvez pelos comentparlamentários. Talvez pela ciência de que não é endereçado a ninguém, em particular, mas está disponível a todos, na rede. Ou, vamos lá, talvez seja megalomania mesmo.

Mas a experiência determina predileções: é mais produtivo este blog do que comunicação com deputados.

O Túlio, a quem escrevi uma mensagem especial, disse, esses dias, quando tentei abandonar o blog: “Poxa, vou sentir falta dos seus escritos. Como já disse uma vez, aprendi bastante coisa com vc. Como ser mais crítico, mais sobre política, por exemplo”.

Isto, de verdade, é o que importa: saber que se contribui, por pouco que seja, para aprimorar – ou corromper – o senso crítico de alguém vale mais do que centenas de e-mails enviados a quem se diz mandatário do povo mas defende apenas os próprios interesses.

Estas CP(M)Is transmitidas ao vivo, mesmo que terminem em pizza, servem para demonstrar como somos representados lá em cima, de terça a quinta-feira, todas as semanas.

Salvo honrosas exceções, os deputados são um exemplo bem acabado da vontade de aparecer superficialmente para obter votos para as próximas eleições, demonstrando ignorância em assuntos que deveriam conhecer de cor e salteado – como diziam provectos e antigos professores que eles ou não tiveram ou de cujas lições esqueceram – e em nosso favor. E de grosserias e má educação. Quando gritam “pela ordem, senhor Presidente” é porque a desordem já está estabelecida.

Comportam-se como a passista de escola de samba que se esmera e se esforça diante de uma câmera de tevê e depois, longe dela, segue bocejante avenida afora.

Assim é a maioria de nossos parlamentares. Desfilam pela imensa Avenida Brasil com galhardia quando estão focados de perto e cochilantes na maior parte do tempo.

São 513 luxuosos e caros destaques de uma imensa escola de samba, composta por um séqüito de milhares de passistas-assessores que se fossem reduzidos à metade ninguém perceberia. Aliás, talvez melhorasse nossa representação.

A comissão de frente são os senadores presididos por esta figura lisa e ensaboada que é Renan Calheiros, cuja linha de atuação obedece à risca o transmudado axioma: “Se hay gobierno, soy a favor. Se hay oposición, del mismo modo. Siempre!”

Conta-se que certa vez, quando atravessava um período crítico de sua vida (depois ele teria feito um tratamento à base de lítio), o então presidente do Congresso Ulysses Guimarães se equivocou e declarou suspensa a sessão que presidia por vinte anos ao invés de por vinte minutos.

Talvez o parlamento levou o que ele disse a sério. Por isto essa conturbação toda. O Parlamento está suspenso...

 

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