19 de abr de 2011

APAGÃO NO TABOÃO

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Há mais ou menos um ano, falando com meu filho que reside na Alemanha, ele narrou um fato pitoresco: faltou energia elétrica na cidade e os alemães saíram às ruas, surpresos e atônitos: o corte anterior ocorrera há então oito anos e não estavam acostumados com aquilo. Cerca de uma hora depois o problema estava resolvido.

Aqui, parte dos usuários do bairro Taboão ficamos sem energia das 20,00 horas do dia 14 de abril até às 17,45 do dia 15, portanto, por 21 horas e 45 minutos...

Um responsável pelo setor (não lembro o nome, se lembrasse citaria aqui) em entrevista a uma emissora local referiu que a comunidade “deveria entender” e aceitar a demora nos reparos (de dez a dezoito horas) em razão do temporal ocorrido que provocou danos graves em vários municípios do Vale.

É sempre assim! A comunidade-contribuinte que paga em dia pelos serviços tem que ser compreensiva e aceitar resignadamente a deficiência dos órgãos públicos. Certos administradores parecem achar que a reclamação, nesse tipo de casos, é uma impertinência abusiva – e, definitivamente, não é! Os prejudicados têm todo o direito de reclamar. Parece que, em última análise, a comunidade deve ser condenada a expiar as culpas pela deficiência dos serviços regiamente pagos.

A comunidade sempre foi paciente, muito paciente, paciente até demais diante desse tipo de problema que, afirmo sem medo de errar, poderia ser minimizado se a Celesc utilizasse uma política eficiente de fiscalização de redes e de manutenção preventiva. Naturalmente que se uma árvore tomba sobre a rede os trabalhos de reparos demandarão algum tempo – nada que possa ultrapassar, em nenhum caso, mais de vinte horas. Todavia, se as equiples da Celesc percorressem periodicamente as linhas tais quedas poderiam ser em grande parte evitadas com o corte das árvores que oferecessem perigo.

A foto acima ilustra uma linha da Celesc praticamente engolida pela vegetação adjacente e é previsível que uma ventania no local provocará danos na rede. E a equipe enfrentará trabalho dobrado: antes de remover a árvore caída, terá que abrir caminho até o local...

Por isto, antes que os responsáveis venham dar de dedo na cara da comunidade sofrida e pagante, têm que explicar porque não há uma política de manutenção mais eficiente que minimize os danos e acelere os reparos quando aqueles ocorrerem. Além disto, poderiam fazer com que a comunidade entenda como é que paga tarifas de primeiro mundo e recebe um serviço de terceiro, ou menos que isto. Ou, ainda, que explique as constantes quedas e oscilação de tensão em alguns locais. Também seria bom explicar porque, nesses casos, o interessado que quiser estabilidade na sua tensão tem que comprar um transformador da própria Celesc, doá-lo à própria Celesc e pagar a uma terceirizada o serviço de instalação. Algo assim como se você fosse na padaria da esquina, comprasse o trigo do padeiro e tivesse que doá-lo para ele fazer o pão que você terá que pagar, depois.

Deveria explicar, também, porque na noite do dia 14 o telefone 0800 48 0196, disponibilizado pela empresa para Emergências, apesar do sinal de chamada, simplesmente não atendeu. E foram muitas tentativas...

A demora no atendimento a comunidade entende e aceita de um modo exageradamente resignado porque historicamente está condicionada a isto. Faz parte da índole pacífica do brasileiro, em geral.

Mas essas coisas aí são mais difíceis de entender. Até porque ninguém explica nem faz questão de explicar.
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