Todos estarão a postos amanhã, compenetrados e um tanto
ressabiados, mas aparentando uma segurança que os possibilite disfarçar qualquer
influência ou pressão externa: juiz tem que ser independente e não pode julgar
sob pressão, por mais pressionado que se sinta.
Quando começar o julgamento iniciará também o desfile das
vaidades supremas de supremos seres, sedizentes de notório saber jurídico pois sob
essa égide foram nomeados após passarem por uma velhaca sabatina perante seres
tão sedizentes probos e sábios quanto eles, de outro poder da República.
Mais que a realidade nacional importará sua superior visão
jurídica, por mais rasteira que seja, com argumentos recheados de citações de
autores nacionais ou estrangeiros que lhes serve de supedâneo para o
julgamento. As citações demonstram erudição e nunca inferioridade: quem cita
necessariamente tem que ser mais sábio que o citado.
O que é simples e óbvio passa a ser complicado e tormentoso
nos meandros interpretativos dos sábios ministros, segundo declinam nos votos, mas
se resolve com ensaiada naturalidade, a complacência escorreitamente
dissimulada.
Mas eventual mudança no entendimento não se dará para
proteger Lula. Defenderão ardorosamente que seria a mesma decisão caso o
paciente fosse um cidadão comum. Não importa que na maioria das nações do mundo
prevalece entendimento contrário (no caso, que a prisão é cabível após
condenação em segunda instância); segundo eles, esse argumento é fático, não jurídico.
Talvez alguém alegue inclusive com a defesa da soberania nacional.
Desta forma qualquer má fé ou crença ideológica ficará
perfeita e absolutamente encoberta, disfarçada nos refolhos daquilo que se
denomina “livre convencimento do juiz”. E que Deus nos proteja!
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