30 de ago de 2010

LULA VAI ESCREVER UM LIVRO

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Lula vai escrever um livro. Até aí, nada demais. Se os sertanejos fazem música, ou pelo menos dizem que seus esganiços são música e a maioria da população acredita e curte, porque não admitir uma obra literária de um apedeuta brasileiro? O problema não é escrever, mas... ele vai ler seu próprio livro ou seguirá vida afora vangloriando-se de nunca ter lido um?

Segundo a reportagem do Estadão, aqui, inspiram-no os impedimentos ambientais que atrasam projetos de infraestrutura.

Condicionantes impostas pelos órgãos de defesa do ambiente, do patrimônio histórico e pela Fundação Nacional do Índio (Funai) são baseadas em preocupações legítimas, mas o presidente não esconde sua impaciência com a demora que elas provocam. Os atrasos, diz ele, também têm custo para a sociedade.

Quer dizer, incapaz de resolver o problema da morosidade de órgãos do próprio Executivo nos estudos ambientais que atrasam obras, escreve um livro a respeito! Também nada demais. Esses dias o Ministério da Educação enviou um para a escola de segundo grau, que narra um estupro e outros infortúnios, visando familiarizar os alunos com a violência. Já que sem capacidade de resolver a questão, melhor fazer com que o povo conviva amigavelmente com ela. Escrevi a respeito, aqui.

Lula, o estradista (está sempre na estrada, ainda que aérea, ou num estrado discursando) está pedindo contribuições de coisas hilariantes  para ilustrar seu livro. Ele quer coisas hilariantes? Por que não se inspira na atuação de sua diplomacia externa?

A história do Zelaya, por exemplo, é hilariante. Lembram? Aquele aspirante a ditador deposto da presidência de Honduras que foi indevidamente reintroduzido no país pelo Brasil e que viveu por cinco meses às nossas custas, pois bancamos a hospedagem de sua camarilha na Embaixada brasileira em Tegucigalpa. O presidente em exercício, Roberto Micheletti, um baixinho simpático e gozador, na época mais aguda da crise mandou aquele abraço ao presidente Lula, su amigo. Lula reagiu dando pernadas no vento. E a apoteose: no acordo que permitiu que Zelaya escapasse da Justiça hondurenha, o Brasil, mentor da frustrada volta dele ao poder, sequer foi consultado. O acordo se deu entre Leonel Fernández, presidente da República Dominicana, e Porfírio Lobo, eleito de Honduras... A diplomacia brasileira, capitaneada pelo sargentão Marco Aurélio Top-top Garcia, saiu humilhada do episódio mas arrotando vitória e pedindo louros por sua tresloucada grandeza. Ainda responde a processo na Corte Internacional de Justiça por meter o nariz na vida política de outra Nação. Foi engraçado.

Há muitas outras. Ele próprio, Lula, em visita à Líbia elogiou a democracia do ditador Muamar Kadafi. Não é muito engraçado mesmo? E o acordo costurado com Irã e Turquia? Foi o primeiro acordo unilateral de que se tem notícia na história do mundo, já que não reuniu as partes interessadas, apenas uma delas...

É obrigação cívica e patriota contribuir para o livro de Lula. Estou fazendo a minha parte. Ele vai escrever depois de deixar o Poder, no fim do mandato, e se for fazê-lo pessoalmente demorará uns dez anos para concluir a obrada.

É bom mantê-lo ocupado.
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2 comentários:

  1. Inacreditável! É a típica situação do RIR PRA NÃO CHORAR!

    O livro pode mesmo ser comédia... ou um terror pra lá de HORROR EM AMITYVILLE, pavoroso livro de Jay Anson!

    O fato é que, vindo 'desse sujeito aí', NÃO me interessa de maneira nenhuma. Aliás, 'vindo dele' é só força de expressão, porque certamente o sujeito não escreverá nada.

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  2. Como sempre o teu texto é de um humor ácido e portanto corrosivo, mas eu não sei porque já não cnsigo mais achar graça nisso tudo....
    Tres abraços, por que um só não é suficiente.
    Osório

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