20 de outubro de 2020

NÃO É ISSO?


 

AS ELEIÇÕES BRASILEIRAS SÃO AS MAIS LIMPAS DO MUNDO

 


Até prova em contrário.

Nas eleições com cédulas, era possível descobrir e penalizar o eleitor fraudulento. Com as urnas eletrônicas as eleições são limpas. Artificialmente limpas! Como as fichas sujas de candidatos que a Justiça Eleitoral considera fichas limpas.

A Justiça Eleitoral conseguiu construir uma comunidade perfeita dentro da nação brasileira: a dos eleitores. Eles nunca cometem crime quando votam, mesmo que vendam seus votos, porque é impossível provar. Nenhuma instituição, até hoje, conseguiu tamanha proeza. Seria o mesmo que se proibir toda e qualquer investigação criminal.

Então não haveria mais apuração de crimes nem crimes nem provas de crimes. Mas por baixo dos panos o mal permaneceria. Roubos, homicídios, estupros, corrupção, falsidades, tudo isto continuaria a ocorrer. Mas sem, apuração ninguém precisaria prestar contas a ninguém.

Assim nas urnas eletrônicas. Sem voto impresso, as irregularidades que podem existir no caminho CONFIRME – RESULTADO jamais serão conhecidas. E a Justiça Eleitoral se vangloria de presidir eleições limpas.

19 de outubro de 2020

A DECISÃO É DELES, MAS O MEDO É NOSSO


Segundo o dicionário Houaiss, JUSTIÇA é um substantivo feminino que expressa a qualidade do que está em conformidade com o que é direito; maneira de perceber, avaliar o que é direito, justo”.

Ao adquirirmos conhecimento e capacidade de interpretar textos e de fazer exames de consciência, adquirimos naturalmente o sentimento do certo e do errado, do bem e do mal e do justo e do injusto que integram a Moral, que, segundo o mesmo dicionário, é o “conjunto de valores, individuais ou coletivos, considerados universalmente como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens”. A Moral é uma das fontes do Direito, base da aplicação da Justiça.

Aos ministros do Supremo repugna a simplicidade desses conceitos. Eles fingem ser sábios e, pretendendo demonstrá-lo, afundam-se nos abismos das interpretações e nos dão soluções que nada têm de direito nem de justo. Eles são vaidosos e confusos, mas se acreditam filósofos do Direito, claros e donos da verdade.

A interpretação errada de textos gera complicações. Mas essas complicações não os atingem. A sociedade brasileira sim é obrigada a digeri-las e assimilá-las e a conviver com o injusto, com o perigo e com o medo. Eles, por eles, nos obrigariam a beijar-lhes as mãos. 

15 de outubro de 2020

VIDA BANDIDA, MAS NORMAL!


 

A equação existencial mais simples da vida é envelhecer e permanecer sempre jovem. Uma coisa exclui a outra e isto é questão de Biofisiologia mesmo.

Nem nos cabe escolher. Na verdade, vamos enrolando e tentando enganar o Tempo, esse incorruptível que “não para no porto, não apita na curva e não espera ninguém”, como diz a música popular de quando eu nem queria saber dessas coisas.

O Tempo vai jogando cracas no nosso organismo, retirando cores e nos transformando. As feições daquela foto do bebê fofinho tomam a forma macilenta, enrugada e manchada de um maracujá de gaveta.

Há coisas que até o espelho, envergonhado, esconde, e que só numa fotografia, ou numa filmagem, vamos constatar: uma tonsura exageradamente grande no cocuruto. Então sabemos que temos cabeça de motel: uma entrada, uma saída e uma cama redonda no meio.

Mas seus médicos — após certa idade terá que ter mais de um, pois você é dissecado em vida e separado em partes como um boi é repartido em cortes — vão afirmar, com cândida segurança, que você pode levar uma vida normal. A única coisa que muda é o conceito de “vida normal”.

Quem sofre de hipertensão pode levar uma vida normal desde que tome anti-hipertensivos pelo resto dela. Quem tem fibrilação atrial, pode levar uma vida normal, desde que tome um betabloqueador, um antiarrítmico e um anticoagulante. Se você tem gastrite crônica também pode levar uma vida normal desde que tome um da família dos prazóis. Se você tem dores na coluna pode levar uma vida normal, desde que faça fisioterapia continuamente e aprenda a viver feliz com ela, mas sempre lembrando que Darwin fracassou na teoria da evolução: ele esqueceu de dizer que, levantando-nos nos pés de trás, comprometemos nossa coluna em prol de uma postura mais digna e vertical.

Suas partes cartilaginosas crescem e você fica mais narigudo e orelhudo, sem que isto importe em que você se torne mais burro. Ou mais inteligente. Pelo contrário, muitas vezes, mas nem sempre.

Outras coisas também crescem, como a próstata nos homens, e se você chegar aos saltitantes 100 anos de idade tem chance de quase 100% de sofrer de câncer na glândula... Como estará com 100 anos seu médico naturalmente dirá que poderá levar uma vida normal. Ainda que tenha todas os outras doenças referidas acima. Afinal, se com todas elas você chegou aos 100 anos, qualquer tipo de vida daí por diante pode ser considerada normal.

24 de setembro de 2020

MEA-CULPA DOS OUTROS!


 

Há uma conspiração mundial que quer me inculcar terríveis sentimentos de culpa. Se soubesse, teria dado meia volta quando era um veloz espermatozoide, sem problemas de fibrilação nem de coluna, e desistido de fecundar o óvulo de minha mãe naquela única corrida que venci na vida. Talvez tivesse nascido um outro eu mais calmo e não vocacionado a suportar complexos de culpa.

O Arnaldo Jabor, certa vez, falando de um crime que vitimou um menino, apontou o dedo para a minha cara e disse que eu era culpado. Não apenas eu, claro, mas todos os que assistiam ao Jornal da Globo naquela noite.

A Greta grita sem garbo que sou responsável pelo afano de sua infância e pelo efeito estufa e sempre aparece algum “especialista” conclamando a que eu faça a minha parte: tomar banhos curtos, fazer xixi durante o banho para economizar água da descarga, evitar o carro, não usar ar condicionado, respirar suavemente, pois o gás carbônico prejudica a camada de ozônio, e só peidar com prudência.

A gente luta a vida inteira para chegar à velhice e gozar de alguns luxinhos ausentes antes e especialistas travestidos de formadores de opinião nos transformam em réus.

Vão tomar nas culpas! Não participei de lucros de empresas poluidoras, não exerci ações nocivas à vida na Terra, nunca tive mira para matar um mísero passarinho na infância (só arranquei penas!), não provoquei essa pandemia nem seus efeitos e querem me responsabilizar pelo caos que outros causaram.

Deixem-me em paz. Dessa socialização estou fora. Não sou politicamente correto nem quero servir de exemplo para ninguém. Nem de bom nem de mau.

19 de setembro de 2020

HOJE É O FERIADO MAIS CULTUADO DO RIO GRANDE DO SUL

Hoje é feriado no Rio Grande do Sul. Em 20 de setembro de 1835 os farrapos sitiaram Porto Alegre.

A Revolução Farroupilha, iniciada em março daquele ano e encabeçada pela elite riograndense, foi um movimento contra decisões da Coroa que onerou tributariamente produtos gaúchos (principalmente charque e couro) e facilitou o ingresso de produtos semelhantes do Uruguai e da Argentina, criando uma situação iníqua e economicamente prejudicial à província.

Há quem veja inspiração ideológica da Revolução Francesa, pois os insurretos pregavam a queda da Monarquia (o seu auge foi a proclamação da República Juliana, em Laguna, Santa Catarina). Seu lema era Liberdade, Igualdade e Humanidade.

No campo de batalha os farroupilhas foram vencidos. Por isto há gaúchos (sou catarinense) que desqualificam as comemorações: não se festeja uma guerra perdida.

Em 281 a.C. Pirro, Rei de Epiro, cruzou o Mar Jônio (hoje Adriático) com um exército de 28 mil homens (infantaria e cavalaria) e 20 elefantes para conquistar Roma. Venceu a batalha em Heracléia mas sofreu tantas perdas que, ao ser saudado por um oficial, retrucou: "Mais uma vitória como esta e estarei arruinado". A expressão vitória de Pirro integra a coletânea dos ditos populares e se usa sempre que se alcança um objetivo em que as desvantagens sobrepujam os benefícios.

Assim, se há vitórias que devem ser pranteadas há também derrotas que podem ser comemoradas. Os farroupilhas conseguiram, na pacificação, em 1845, um tratamento mais justo por parte da Coroa e, mesmo vencidos, não sofreram punições. Outras conquistas importantes e algumas vanguardistas: a dívida pública farroupilha foi assumida pelo Império, foram libertados os escravos que lutaram ao lado dos farrapos, as terras confiscadas foram devolvidas, os prisioneiros foram libertados e obteve-se autonomia para eleger o presidente da província.

Os farrapos não conseguiram instaurar a República. Mas o ideal foi semeado, contagiou outros movimentos Brasil afora, e ela veio em 1889.

 

11 de setembro de 2020

ASSIM PENSAM OS NOSSOS FAZEDORES DE LEIS


Vai à sanção presidencial lei aprovada no Congresso que aumenta substancialmente a pena para a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação a cães e gatos. Será de reclusão, de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda. 

A pena para quem privar ser humano de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado, é de reclusão, de um a três anos, quer dizer, bem menos grave. Para chegar ao nível da pena de maus tratos a cães e gatos é preciso (I) que a vítima seja ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do réu ou maior de 60 (sessenta) anos; (II) que o crime seja praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital; (III) se a privação da liberdade durar mais de quinze dias; (IV) se o crime for praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; e (V) se o crime for praticado com fins libidinosos (Art. 148, § 1º, incisos I a V do Código Penal). 

Quer dizer:  se  alguém  sequestrar  um  idoso  sofrerá  a  mesma  pena  de   quem maltratar cães e gatos. A mesma não: não sofrerá pena de multa.

7 de setembro de 2020

E DÊ-LHE COMBUSTÍVEL...



Ao transpor uma lombada física você reduz a velocidade para 15 ou 20 km/h, pelo que observei por GPS no meu modo de dirigir.

Para retomar a velocidade normal é preciso acelerar quase como se estivesse arrancando.

6 de setembro de 2020

MOTÉIS NOS PRESÍDIOS MARANHENSES


No Maranhão, o governador Flávio Dino constrói motéis nos presídios para que os presos possam gozar (ops!) livremente seus prazeres conjugais, não necessariamente com o cônjuge nem com pessoas do mesmo sexo.

Esses políticos precisam se conscientizar de quem comete um crime e é condenado à prisão, perde também alguns direitos qualificadores de sua cidadania, como de ir e vir, de votar (os provisoriamente presos, podem) e, principalmente, o de conviver em sociedade enquanto, em tese, não é solto. A visita íntima, concedida em alguns Estados, não expressa propriamente um direito e tem servido para desvios, como o mau uso pelos próprios presos e seus comparsas em liberdade, como mandar recados, chantagear, condenar e mandar executar inimigos.

Prender alguém e depois começar com abrandamentos de regras e permitir que o preso viva como se estivesse em liberdade, não está entre os objetivos da pena. Se assim for, melhor nem prender o que, aliás, é comum neste país da impunidade e de penas baixas e incondizentes com o mal praticado.

Pelo STF, inclusive, estaria todo mundo solto. Menos os que o criticam. 

ESSA PREVISÃO!


“Era Outono e os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo chefe se o inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um chefe índio da "era moderna", ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo; no entanto, para não correr muitos riscos, disse:

"Sim! Poderá ser muito rigoroso. Devemos nos preparar e cortar lenha suficiente para aguentar um inverno muito frio!"

Como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefônica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:

"O próximo inverno vai ser frio?"

"Parece que este inverno vai ser muito frio" – respondeu o meteorologista de plantão.

O chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem ainda mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a telefonar para o Serviço Meteorológico:

"Vai ser um inverno muito frio?"

"Sim!" – responderam do outro lado – "O inverno vai ser mesmo muito frio!"

Mais uma vez, o chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem, sem desperdiçar sequer os pequenos gravetos. Duas semanas mais tarde voltou a falar com o Serviço Meteorológico Nacional:

"Vocês têm certeza que este inverno vai ser mesmo muito frio?"

"Certeza absoluta!" – respondeu o meteorologista – "Vai ser um dos invernos mais frios da História!"

"Como podem ter tanta certeza?" – perguntou o Chefe índio.

O meteorologista respondeu:

"É que os índios estão cortando lenha que nem uns doidos!"

É assim que funciona...”

5 de setembro de 2020

VOCÊ ENTENDE A JUSTIÇA BRASILEIRA?


Não? Não se preocupe. Eu vivi 30 anos lá e também não entendo.

Aliás, estou entendendo cada vez menos.

Segurança Jurídica é apenas uma expressão idiomática de valor menor. Ou sem valor.

NO SUPREMO, A VERGONHA ANDA EM FALTA


 Reclamam que o STF aprovou dia 12 um orçamento superior ao do ano passado em R$ 25.700.000,00. O total de R$ 712.400.000,00 equivale a 682.375,47 salários-mínimos. Para ganhar essa bufunfa um assalariado brasileiro teria que trabalhar 56.810 (cinquenta e seis mil e oitocentos e dez) anos. Parece pouco? Vá lá! São só 568 séculos.

Sejamos compreensivos com eles. Se não fosse a pandemia do vírus chinês o valor seria muito superior. Coitados! Reduzirão o consumo de lagosta e vinhos importados usados para realçar a pompa das “refeições institucionais” que o Tribunal de Contas da União liberou para eles.

Os supremos são muito conscientes e viram que o orçamento da União para o ano será menor e não querem se aproveitar e agravar a situação. Eles levam também muito em conta que Bolsonaro é o presidente da República. Jamais lesariam seu governo. Foi comparado a Hitler e chamado de genocida, mas isto é irrelevante. Eles amam Bolsonaro.

É bom deixar claro que nos dois últimos parágrafos tentei ser irônico. É bom fazer esse tipo de esclarecimento para evitar mal-entendidos. Porque se eles, por acaso, lerem isto, vão pensar que é elogio, graças a seus desvios interpretativos.

Agora falando sério: alguém acha que os supremos se avexam com críticas? Ah, ah, ah! Nos bastidores eles soltam brilhantes gargalhadas, batem-se nas costas e exclamam: “data venia, esse povinho é inocente e submisso. Salvo melhor juízo, podemos aprontar mais. AH! AH! AH!” – esse gargalhar é deles, dá pra perceber pelo brilhantismo.

4 de setembro de 2020

A LAVAJATO NO FIM?


 

O GENOCÍDIO CAMBOJANO


 

MAIS SABE O DIABO...


 

POBREZA DE ESPÍRITO


 

O PROGRESSO E A CULTURA DO ATRASO


 

O PERIGO DAS DECISÕES MONOCRÁTICAS


 

O QUE DÁ UM ANALFABETO À FRENTE DE UMA REFORMA ORTOGRÁFICA

Eu fiquei meio ressabiado quando excluíram o trema (¨) da Língua Portuguesa que, aliás, estava em desuso social. Mas achei que iria dar problema. Ontem ouvi um repórter falando da distribuição “ecuitativa” da vacina contra o Covid, com ênfase na sílaba “cu”. Ele, certamente, queria dizer “equitativa” ou “eqüitativa" – nem lembro mais do certo.

Mas surgirão outras confusões. “Areia”, todo mundo sabe a pronúncia. Mas, e “ameia”? É como areia ou como ideia? “Amêia” ou “améia”. Por que “cadeia” se pronuncia “cadêia” e “azaleia” se pronuncia “azaléia”?

Talvez isto não queira dizer nada, mas para quem sempre procurou respeitar a Língua Portuguesa, dedicando-se a estudá-la e perceber sua beleza lógica, esses defeitos certamente não serão bem vindos.

Sem o acento diferencial, problemas surgirão com o passar do tempo, quando a memória oral for desvanecendo.

A última reforma de nosso idioma ocorreu no desgoverno Lula. Mas não adianta perguntar a ele. Ele, além de nunca saber nada, é analfabeto.

20 de agosto de 2020

E OLHE LÁ!

 

E A VIDA SEGUE DO JEITO QUE DÁ!

Cármem Lúcia retornou ao TSE como ministra substituta. Tomou posse sem maior alarde, ao contrário de quando assumiu o STF em 2007. A Veja da época (21/03/2007), páginas 70/71, seção Gente, sob o título “Susto em Sessão do Supremo”, disse que a ministra quebrara uma tradição de quase dois séculos ao entrar no plenário de blazer e calça comprida. Nada demais! Calças compridas não devem ser privilégio de ministros. O Kakay – que nem é ministro – já foi ao Tribunal de bermudas! Surpreendente seria Gilmar Mendes entrar de vestal romana ou de dançarina chinesa.

Mas a matéria da Veja me preocupou: a ministra, entre outras coisas, “costuma recitar versos para suas plantas”.

Talvez eu não seja bem compreendido, pois há quem fale com plantas. Mas não acho que isto seja bom sinal.

Se fossem exigidos exames psicológicos e psiquiátricos dos candidatos, teríamos ministros mais preparados. Aquela sabatina a que o indicado se submete na CCJ do Senado é um jogo de cena indigno do Teatro Biriba. Se Lula fosse, hoje, sabatinado para assumir qualquer cargo sob a condição de ser considerado a alma mais pura do Universo, seria aprovado. Com a benção do STF, embora desnecessária.

Talvez a ministra devesse ler artigos da Constituição para suas plantas. Elas poderiam algum dia devolver-lhe bons ensinamentos.