17 de nov de 2009

NÃO HÁ VACINA CONTRA UM BOM CAGAÇO

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A reforma do Judiciário passou em primeira votação pela Câmara Federal. Agora segue seus trâmites.

Mas perceberam que não há mais aquela publicidade toda, aquela espalhafatosa cobertura midiática que qualificava o assunto como se fosse uma solução para todos os problemas judiciais do Brasil?

Pois é. Será por quê?

Cá entre nós. É segredo! Mas me disseram que há algum desinteresse governamental na aprovação da reforma assim como está. Vou me valer de métodos jornalísticos e preservar minha fonte (embora ela tenha dito isto até em programas de televisão). Mas asseguro que é fidedigna.

É que se chegou à conclusão, após análises mais acuradas, que não é bem assim, que muita coisa precisa ser mexida para resolver o problema da morosidade da Justiça. Mas, principalmente, porque há nos altos escalões o receio de que a Súmula vinculante acabe se virando contra eles.

O cagaço não é desgosto incivil circunscrito aos desafortunados ou menos afortunados. Lá em cima ele também produz seus efeitos ordinários.

No meu artigo O Feitiço contra o Feiticeiro escrevi que “quem põe armadilhas no caminho de ida pode cair numa delas no caminho de volta”. Mas ninguém me ouve! O que escrevo é sempre visto com olhos descrentes e bovinos.

Mas já imaginaram se o STF, num acaso muito respeitável, editar uma súmula tipo “Todo precatório, cujo conteúdo econômico contenha caráter alimentar, deve ser pago em 24 horas”?

Sei, desculpem, estou sonhando demasiadamente alto. Estou voando nas asas do condor, mas é só um exemplo. Só um exemplo. Até porque o Brasil teria que declarar falência e isto ninguém quer.

A verdade é que as súmulas vinculantes eventualmente poderão voltar-se contra os interesses do próprio Governo ou de suas autarquias e empresas (em casos como o do FGTS, do confisco das poupanças e outros), ou contra grandes grupos econômicos, ou contra os Bancos...

É, talvez fosse melhor deixar como está!

Por isto eles estão com as barbas – literalmente – de molho.



Publicado no Jus Sperniandi, do autor, no Uol,
em 13/07/2004.
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Um comentário:

  1. Pitacos transcritos do post original:

    [Bonassoli]
    Pior que, talvez, deixar como está realmente seja melhor. Meu Deus! Alguém pára o mundo que eu quero descer.

    16/07/2004 19:20

    [Glauco Damas] [glauco@uol.com.br] [http://portugueshoje.blog.uol.com.br]
    Mais um texto para jornal... Eu reescreveria (só para deixar mais adequado ao padrão editorial) e mandaria a um bom jornal. Você é da área jurídica; sua bagagem PROFISSIONAL enobrece a credibilidade do texto, da análise.

    13/07/2004 20:42

    RESPOSTA:
    Glauco:
    Ando meio decepcionado com os jornais. Enviei vários artigos, inclusive melhores e sobre assuntos mais importantes que este, e foram solenemente ignorados. Por isto criei este blog e na APRESENTAÇÃO já deixei isto claro. Mas vou tentar, novamente. Um abraço.

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